

Coordenador do Instituto participou de sessão da Academia Brasileira de Ciências que contribuirá para a formulação da agenda científica brasileira rumo à COP31
O professor Luiz Drude de Lacerda, coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Transferência de Materiais Continente-Oceano (INCT-TMCOcean), participou, em 1º de setembro, do “Simpósio e Diplomação dos Afiliados da Academia Brasileira de Ciências da Regional Nordeste e Espírito Santo 2026–2030”. O encontro foi realizado no auditório da Reitoria da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), em Maceió.
Membro titular da Academia Brasileira de Ciências (ABC) e professor da Universidade Federal do Ceará (UFC), Luiz Drude abriu e coordenou a sessão “Oceanos e Zona Costeira: conexões invisíveis na agenda climática”. A atividade integrou a série “COP30: balanço crítico e lições para a ciência brasileira rumo à COP31”.
O debate reuniu especialistas em recifes de coral, manguezais, clima, serviços ecossistêmicos e energia oceânica. Foram discutidos temas como aquecimento e acidificação das águas, ondas de calor marinhas, branqueamento de corais, migração de manguezais, estoques pesqueiros e o potencial de geração de energia térmica oceânica no Nordeste.
Durante a sessão, Luiz Drude alertou que o acúmulo de calor é um dos principais problemas enfrentados pelos oceanos e pode ser intensificado por fenômenos como o El Niño. Segundo o pesquisador, enquanto alguns efeitos são facilmente observados, como o branqueamento e a mortalidade dos recifes, outros processos, como a acidificação das águas, avançam de forma menos perceptível. A ABC também destacou que os mares brasileiros estão aquecendo acima da média global.
A discussão dialoga diretamente com a missão do INCT-TMCOcean. O Instituto investiga o transporte, as transformações e o destino de sedimentos, nutrientes, matéria orgânica e metais-traço entre as bacias de drenagem e a costa brasileira. Essa abordagem demonstra que os impactos climáticos não ficam restritos ao mar aberto: alcançam rios, estuários, manguezais, recifes, cadeias produtivas e comunidades costeiras e ribeirinhas.
Luiz Drude também defendeu uma abordagem multidisciplinar, capaz de aproximar diferentes áreas da ciência e incorporar os conhecimentos das comunidades pesqueiras e costeiras. As conclusões da série de debates serão reunidas em uma publicação da ABC e encaminhadas à representação brasileira na COP31, contribuindo para transformar conhecimento científico em políticas de enfrentamento à crise climática.